Atualização percursos pedestres recomendados

“A Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza informa, que de acordo com o levantamento efetuado até ao momento, e sem prejuízo de atualizações futuras, os percurso pedestre PR 12 Caminho Real da Encumeada (Boca da Corrida – Encumeada), encontra-se, temporariamente encerrado por questões de segurança, devido à ocorrência de uma grande derrocada e consequente desabamento da vereda, impossibilidade a passagem de caminhantes”.

 

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Atualização -Percursos pedestres recomendados ilha da Madeira

“A Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza informa que, de acordo com o levantamento efetuado até ao momento, e sem prejuízo de atualizações futuras, já se encontra transitável a vereda oeste (pelos túneis) referente ao percurso pedestre PR 1 Vereda do Areeiro (Pico do Areeiro – Pico Ruivo). Refira-se, no entanto, que a vereda este (pelo Pico das Torres) mantém-se encerrada“.

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(In)segurança, incúria e imagem das levadas

Desde que iniciei os meus trabalhos de investigação dedicados às levadas da ilha da Madeira fui confrontada com aspectos  relacionados com a (in)segurança das levadas. Na Madeira sabemos desde tenra idade quão perigoso é estar na montanha, quão perigosas poderão ser algumas levadas. Ainda assim, percebi que muitos turistas calcorreavam os montes para seu próprio deleite. O risco sempre esteve presente nas caminhadas, faz parte da adrenalina associada à actividade.

Já aqui escrevi/deixei algumas notas respeitantes a este assunto, porém, alguns anos volvidos, o assunto continua actual. Parece não ter fim ou haver solução à vista. Infelizmente o número de vidas daqueles que visitam a ilha  vai diminuindo à custa desta (in)segurança e da incúria. Ontem faleceu mais um turista. A pergunta é até quando irão acontecer estas situações? Quando é que existirá um modelo de gestão mais eficaz?

É que estas situações no seu conjunto vão deixando marcas não apenas no funcionamento do mercado turístico, como também, na imagem da região.

 

 

Levadas da ilha da Madeira: valor patrimonial

 

O regresso aos meus terrenos na ilha da Madeira tem como propósito a participação num programa televisivo da RTP-Madeira subordinado ao tema: ‘As levadas da ilha da Madeira candidatas a Património Mundial da UNESCO’.

Desde 2004, ano em que encetei o trabalho de campo para o mestrado em Antropologia, que dei conta que este sistema tinha um grande valor patrimonial, na medida em que a Madeira não seria o que é hoje se não fossem as levadas. Estes canais construídos pela mão do homem fazem parte da nossa identidade, permitiram o desenvolvimento da ilha e, hoje, são motivo de viagem para milhares de pessoas.

O valor patrimonial a que me refiro está relacionado com o saber-fazer associado à sua construção (desde o século XV), manutenção e gestão. O sistema de irrigação não é exclusivo da região como em tempos escrevi, porém, a sua dimensão numa ilha tão pequena, o léxico especifico, e as tensões sociais associados à gestão, distribuição e uso da água no quotidiano, fazem-no merecer tamanha distinção. Defendo a sua candidatura à UNESCO mas nos moldes adequados, salvaguardando a sua sustentabilidade e os saberes-saber locais.

Uma candidatura deste género implica antes de mais a participação de múltiplos actores, já que este sistema regional de irrigação se reveste de especificidades muito próprias. Começando pelo conjunto de entidades com responsabilidades em termos de gestão do recurso, passando pelas comunidades locais, essa fonte de informação riquíssima em saberes-fazer, pelas universidades, a indústria turística, as autarquias, terminando pelos consumidores/turistas.

Não esqueçamos que este elemento patrimonial é usado simultaneamente pela população local nas suas práticas de regadio diárias, e pelos turistas na contemplação e fruição da paisagem. São, em simultâneo, recurso e produto.

Durante o trabalho de campo para o doutoramento, decidi analisar o recurso como produto turístico. Espantei-me uma vez mais por não ver este sistema de irrigação reconhecido nem a nível local/regional nem a nível nacional.

A candidatura  poderia  e, de acordo com os critérios de elegibilidade veiculados pela UNESCO, destacar a sua merecida importância. Os critérios culturais de selecção deixa antever uma possível classificação, já que o sistema insere-se, a meu ver, em vários critérios.

 

 

 

 

 

A turistificação de Lisboa e Porto

A grande reportagem “Porto, Lisboa: na rota do Mundo” exibida ontem na SIC revela problemas e desafios crescentes nas duas maiores cidades do país. Ambas ganharam nos últimos anos notoriedade por serem não só destinos emergentes, como por serem consideradas alguns dos melhores destinos europeus. Em face disto e em conjugação com outros factores, têm vindo a registar-se aumentos significativos na procura e receitas turísticas.   A galinha dos ovos de ouro poderá, em breve, tornar-se num pesadelo se o ‘desenvolvimento’ turístico continuar de forma desenfreada a alterar os espaços, os lugares e os significados de ambas as cidades. Os impactos (socioculturais, económicos, ambientais)  da actividade/indústria/fenómeno são visíveis um pouco por todo o lado, não apenas nos lugares de maior procura/concentração de turistas, mas sobretudo nas zonas residenciais.

As cidades antes de assumirem este novo papel/significado, são espaços para os residentes com todas as suas vivências diárias. E, contrariamente à ideia de que é preciso dar importância “aquilo que são os interesses dos turistas, aquilo que lhes agrada fazer em Portugal”, é urgente pensar num modelo de planeamento e desenvolvimento turístico, dando voz aos residentes, uma vez que são estes quem usufruiu e experiencia a cidade em primeira mão.

É necessário atentar à capacidade de carga da maioria dos locais turísticos da(s) cidade(s), pensar efectivamente no uso e consequência das taxas turísticas, a desregulação associada ao alojamento local, entre outros.

Considero que o turismo planeado e gerido de uma forma sustentada poderá ser benéfica, contudo, no caso de Lisboa, não é isso que se passa na maior parte das situações.