Boletim do CIERL-UMa Ano 2 Número 1

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Neste número divulga-se o trabalho desenvolvido por investigadores do CIERL-UMa e por alguns dos parceiros institucionais.

Estando neste momento em preparação a candidatura, junto da UNESCO, das Levadas da Madeira a Património da Humanidade, e havendo no nosso centro investigadores que têm trabalhado ou estão interessados em trabalhar sobre este património cultural madeirense, a coordenação editorial  do Boletim do CIERL-UMa considerou oportuno convocar as Levadas da Madeira para tema de capa deste novo número da nossa publicação.
 
Assim sendo, o n.º de março de 2015 do Boletim do CIERL-UMa abre com um texto de Nelson Veríssimo (investigador do CIERL-UMa e docente do CCAH), intitulado “Levadas da Madeira: Candidatura a Património da Humanidade”.

“Entre  outros trabalhos entretanto publicados pelos membros do CIERL-UMa e que são divulgados no boletim, destacamos, justamente pelo tema abordado, a tese de Doutoramento em Turismo de Filipa Fernandes também investigadora do nosso centro e docente no ICSP-UL. Este seu projeto de doutoramento, intitulado Pelos Caminhos da Água: as Levadas e Veredas da Ilha da Madeira como Recurso Turístico, foi defendido publicamente em 2013, na Universidade de Évora.

Salientamos também uma novidade introduzida nesta edição do boletim e que se pretende estender a números posteriores: a entrevista a coordenadores de linhas de investigação e de projetos do CIERL-UMa. O objetivo é, por essa via, promover uma mais específica divulgação dos trabalhos em curso nessas linhas e projetos”.

A ficha técnica da edição de março do Boletim do CIERL-UMa:

Editora:Ana Salgueiro

Coordenação editorial: Ana Salgueiro

Capa: Filipe Gomes 

Design Gráfico, Composição e Paginação: Filipe Gomes e Alexandre Chaves

Assistente de Secretariado: Catarina Teixeira

Ciclo de Conferências do Ambiente

Realiza-se no próximo sábado, dia 15 de Novembro, o Ciclo de Conferências do Ambiente. O evento terá lugar na FCSH/NOVA.

– Programa –

14:00 – 14:05 Abertura

Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)

14:05 – 14:25 “Territórios sagrados”: O papel dos chimpanzés nas perceções da natureza em duas áreas protegidas da Guiné-Bissau

Amélia Frazão (CRIA-FCSH/NOVA) e Cláudia Sousa (CRIA-FCSH/NOVA)

14:25 – 14:45 Aproximações etnográficas sobre o projeto de rewilding na Faia Brava

Guilherme Sá (Universidade de Brasília)

14:45 – 15:05 Predadores: Relações e conservação a propósito da reintrodução do lince Ibérico

Margarida Lopes Fernandes (CRIA-FCSH/NOVA) e Amélia Frazão (CRIA-FCSH/NOVA)

15:05 – 15:25 Parques e pessoas: Naturezas e culturas

Humberto Martins (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)

15:25 – 15:45 Mercantilização do património, paisagem construída e um Parque Natural: O caso da ilha da Madeira

Filipa Fernandes (ISCSP – UL)

15:45 – 16:00 Pausa para o que aprouver

16:00 – 16:20 Antropologia da energia e o problema das centrais fotovoltaicas em Portugal

Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)

16:20 – 16:40 Participação pública nos processos de decisão sobre energias renováveis

Ana Delicado (ICS – UL)

16:40 – 17:00 Abundância sem limites? Representações do consumo de energia inscritas nos conteúdos televisivos

Ana Horta (ICS – UL)

17:00 – 17:20 O que deveríamos saber sobre as alterações climática? Nada.

Paulo Mendes (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)

17:20 – 17:40 Os peixes grandes devoram os pequenos: a roda-da-fortuna e o poder moral do mar

Francisco Oneto (ISCTE-IUL; CRIA/ISCTE-IUL)

17:40 – 18:10 Debate final

Organização

Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)

Paulo Mendes (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)

Ciclo de Conferências do Ambiente

No próximo dia 15 de Novembro irá realizar-se um ciclo de conferências do Ambiente na FCSH/NOVA.

Organização:
Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)
Paulo Mendes (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)

– Programa –
14:00 – 14:05 Abertura
Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)
14:05 – 14:25 “Territórios sagrados”: O papel dos chimpanzés nas perceções da natureza em duas áreas
protegidas da Guiné-Bissau
Amélia Frazão (CRIA-FCSH/NOVA) e Cláudia Sousa † (CRIA-FCSH/NOVA)
14:25 – 14:45 Aproximações etnográficas sobre o projeto de rewilding na Faia Brava
Guilherme Sá (Universidade de Brasília)
14:45 – 15:05 Predadores: Relações e conservação a propósito da reintrodução do lince Ibérico
Margarida Lopes Fernandes (CRIA-FCSH/NOVA) e Amélia Frazão (CRIA-FCSH/NOVA)
15:05 – 15:25 Parques e pessoas: Naturezas e culturas
Humberto Martins (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)
15:25 – 15:45 Mercantilização do património, paisagem construída e um Parque Natural: O caso da ilha
da Madeira
Filipa Fernandes (ISCSP – UL)
15:45 – 16:00 Pausa para o que aprouver
16:00 – 16:20 Antropologia e história de um conflito ambiental na Beira Baixa
Pedro Gabriel Silva (UTAD; CETRAD)
16:20 – 16:40 Antropologia da energia e o problema das centrais fotovoltaicas em Portugal
Luís Silva (CRIA-FCSH/NOVA)
16:40 – 17:00 Participação pública nos processos de decisão sobre energias renováveis
Ana Delicado (ICS – UL)
17:00 – 17:20 Abundância sem limites? Representações do consumo de energia inscritas nos conteúdos
televisivos
Ana Horta (ICS – UL)
17:20 – 17:30 Pausa para o que aprouver
17:30 – 17:50 O que deveríamos saber sobre as alterações climática? Nada.
Paulo Mendes (UTAD; CRIA/ISCTE-IUL)
17:50 – 18:10 Os peixes grandes devoram os pequenos: a roda-da-fortuna e o poder moral do mar
Francisco Oneto (ISCTE-IUL; CRIA/ISCTE-IUL)
18:10 – 18:30 Apropriação social da natureza pela comunidade piscatória da Aguda:
Uma abordagem etnoecológica
Joana Agra (Universidade Lusófona do Porto; CRIA-FCSH/NOVA)
18:30 – 19:00 Debate final

Levadas, (in)segurança, gestão (do risco), incúria

Esta semana e por um lamentável motivo o turismo na Madeira voltou a estar nas ‘bocas do mundo’ devido a um fatal acidente ocorrido num dos percursos pedestres existentes na ilha. Este assunto não é novo naquele lugar, mas também não é característico dali. Há relatos de acidentes em muitos locais turísticos no globo cujo nicho de mercado é a natureza. Porém, o que me espanta é a incúria com que se gere ou não estes assuntos.

Sabe-se que o turismo é a principal indústria na Madeira, dele muitos dependem. Além fronteiras, muitos ouvem falar nas suas paisagens, na Floresta Laurissilva, Património mundial da UNESCO. Um dos principais, senão o principal produto turístico, são os passeios a pé nas levadas e veredas.

Iniciei o meu trabalho doutoral em 2008 e cedo percebi que a questão da segurança era importante para qualquer destino turístico na medida em que pode condicionar ou não a sua maturação, a sua permanência no seio de uma indústria, global, activa e muito competitiva. Li e registei algumas notas acerca deste assunto, contudo, pensei que quase 6 anos volvidos, e após ter concluído o meu trabalho doutoral sobre as levadas da ilha da Madeira, que a situação estivesse melhor.

Há um conjunto de factores que, juntos, contribuem para que as caminhadas na Madeira sejam inseguras: a humidade que torna o chão demasiado escorregadio; o descuido do caminhante; a falta de experiência de alguns caminhantes; a confiança em demasia de alguns sujeitos perante o terreno; o desnível do terreno; a abrupta mudança climatérica, à qual estamos sujeitos quando andamos na montanha; a falta de avisos – sinaléctica, nalguns locais, em especial fora dos percursos recomendados pelas autoridades oficiais; a vegetação abundante nalguns trechos; etc…..

Os acidentes acontecem por descuido (assisti muitas vezes no terreno a situações verdadeiramente inacreditáveis, desde turistas a ‘fazerem’ uma levada de havaianas, ou a escorregarem no trilho porque a fotografia teria de ficar mais perfeita que a dos outros, etc), por falta de informação adequada (é nas recepções dos hotéis que acontecem situações que mereciam outros cuidados, como por exemplo, recomendarem um percurso de horas a pessoas com mobilidade reduzida, ou percursos extenuantes, difíceis a famílias com crianças, tudo por desconhecimento do terreno, dos percursos, da sua durabilidade e acima de tudo, das suas condições de segurança no momento), por desvios (muitos atrevem-se a ir mais além do percurso recomendado. Exemplo: passar além das barreiras de segurança após um deslizamento de terras), por excesso de informação (quero com isto dizer que existem muitas publicações disponíveis cujos dados são erróneos, com informações que deixam muito a desejar, com falta de rigor).

Face a este panorama o que fazer? Como actuar quando sabemos que mesmo apesar de existirem percursos recomendados há inúmeros turistas que preferem fugir para levadas menos concorridas (isto lervar-nos-ia a outra discussão), sem saber quais as suas reais condições de segurança? Como actuar quando sabemos que há publicações que nas suas dezenas de páginas publicitam percursos, a maioria não recomendados, sem haver cruzamento de informações que permitam ao visitante saber quais as condições dos trilhos? Como actuar quando há evidencias de visitantes preferirem caminhar nas levadas por sua conta e risco? Como actuar quando sabemos que nem sempre os visitantes iniciam as caminhadas às melhores horas (a meio da tarde quando o percurso prevê o seu terminus já de noite)? Como actuar quando sabemos que na montanha o tempo muda rapidamente podendo desorientar visitantes menos experientes? Como actuar perante tanto interesse no seio do sistema turístico regional? Como actuar face a tamanha desinformação que pauta o turismo regional?

Há formas de se contornarem estas situações, todavia, não há nenhum modelo perfeito. O meu trabalho de campo prolongado denuncia estas e muitas outras situações, situações essas que não podem continuar a existir num destino centenário. Para isso, eu proponho uma mudança na gestão do destino, começando pela implementação de um conjunto de medidas que permitirão a médio/longo prazo evitar situações destas. Pena é que não se oiçam os académicos!

 

20 de Fevereiro de 2010 – 4 anos!

Hoje faz 4 anos!
Um dos piores desastres de sempre na ilha da Madeira fez-se sentir logo pela manhã em toda a ilha com particular incidência na costa sul.
Desde o grande aluvião de 1803 muitos foram os desastres de carácter hidrogeomorfológico verificados na Madeira. Contudo, parece que a memória cultural procurou esquecer esses eventos. Por que motivos ? Como? E com que consequências? Estas são algumas das questões que norteiam a investigação multidisciplinar que está a ser levada a cabo pelo projeto DMDM do qual faço parte.
Muitos caminhos terão ainda de ser trilhados, porém, há uma certeza a de não esquecer e de relembrar para melhor se fazer.