Programa «Paysage d’Ici et d’Ailleurs” – Paisagens da Madeira

O Canal franco-alemão ARTE-TV, realizou um programa «Paysage d’Ici et d’Ailleur” sobre paisagens da ilha da Madeira, no participei com muito gosto para falar nas minhas/nossas levadas, objecto de estudo das minhas teses de mestrado e de doutoramento.

Mais informações aqui.

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Antropologia, turismo de natureza e suas conexões – III

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À semelhança das semanas anteriores, revelo aqui mais umas ‘pistas’ acerca da (possível) relação entre a antropologia e o turismo de natureza.

O que significa o turismo nos espaços naturais? Como é que se conceptualiza?

Para Fredman e Tyrväinen (2011) não existe uma definição consensual e consistente de turismo nos espaços naturais devido à dificuldade em separar os recreacionistas dos turistas e, ainda, em distinguir a actividade específica dos serviços mais amplos associados a essa actividade.

O turismo de natureza ou nos espaços naturais é uma categoria abrangente que apresenta alguns elementos de diversas formas de turismo tal como o ecoturismo, o turismo de aventura e o turismo sustentável. “Pode ser entendido como “tourism experience in nature, activity-based but with differing levels of involvement and physical engagement” (Vespestad e Lindberg, 2010:04).

Rinne e Saastamoinen afirmam que o turismo nos espaços naturais significa “visiting places in which natural amenities and characteristics are the most important attraction and/or tourist activities are situated and performed in a natural environment” (Rinne e Saastamoinen, 2005:90).

Valentine (1992) por seu turno menciona que o turismo está relacionado com o desfrute de alguns elementos da natureza, evidenciando-se aqui o elemento recreativo. As experiências e actividades tidas no seio deste segmento basear-se-ão na apreciação da natureza e, ainda, na medida em que as experiências de viagem dependerão da natureza.

As definições apresentadas anteriormente mostram que o turismo nos espaços naturais está associado a actividades de lazer que ocorrem em diferentes espaços, e os elementos chave são os visitantes e as experiências de ou na natureza.

(…)

Antropologia, turismo de natureza e suas conexões – II

Levada da Ribeira da Janela

Levada da Ribeira da Janela

As áreas naturais desde há algum tempo  constituem alvo de atracção. Com o advento da modernidade, e consequente aumento do tempo livre e das viagens, os turistas visitam um pouco por todo o lado lugares diversos. Há um consenso generalizado de que o turismo nas áreas naturais é um segmento em expansão (Buckley, 2003; Hall e Boyd, 2005; Mehmetoglu, 2007a; Newsome et al, 2002). Fruto desta observação estão os materiais publicados sobre o tema (Eagles e McCool, 2000; Fredman et al, 2012; Fredman e Tyrväinen, 2011; Fredman et al 2009; Higham e Vistad, 2011;  Mehmetoglu 2007a, 2007b; Rinne e Saastamoinen, 2005; Tangeland, 2011).

Entre os vários conteúdos tratados sobre o turismo nos espaços naturais contam-se, por exemplo: 1) os visitantes nas áreas naturais, 2) as experiências tidas nos ambientes naturais, 3) a participação nas atividades, 4) os aspectos normativos relacionados com o desenvolvimento sustentável,  5) os impactos e o desenvolvimento sustentável; 6) a indústria turística e as suas relações com os vários actores; 7) as dimensões ecológicas, socioculturais, políticas e económicas; 8) interesses antropocêntricos associados às áreas naturais protegidas: manutenção da identidade nacional, protecção de recursos medicinais, preservação de culturas e tradições, e protecção da diversidade cultural; 9) relação entre as comunidades locais, as áreas naturais, a sua gestão e planeamento.

O interesse neste segmento turístico deve-se por um lado, ao interesse crescente pelo ambiente, e por outro, pelas preocupações em torno do desenvolvimento rural. Este tipo de actividade insere-se no âmbito do turismo alternativo, mais compatível com o ambiente do que com o turismo massificado (Holden 2003). O ambientalismo parece ser um dos motivos para o aumento da procura deste tipo de turismo.

O desenvolvimento do turismo em áreas adjacentes às áreas naturais protegidas assume diferentes formas em várias partes do globo. Higham e Vistad (2011) mencionam que o desenvolvimento do turismo associado à protecção das áreas naturais é considerado uma forma de gerar receitas, de criação de emprego e, ainda, uma forma de promover oportunidades de desenvolvimento económico para comunidades periféricas (Hall e Boyd, 2005).

Continua….

Antropologia, turismo de natureza e suas conexões – I

Por diversas vezes me questionaram sobre se haveria ligação entre a Antropologia e o turismo de Natureza. A resposta afirmativa quase sempre causou desconfiança, espanto, mas nalguns casos, registou-se uma certa curiosidade. De notar que essas desconfianças desde sempre pairaram sobre a antropologia do turismo,  exactamente pela diferença, pelo facto de o objecto não ser o mais usual.

Com o acentuado crescimento por esse mundo fora, não apenas em valores e percentagens, mas também em tipos e formas, este fenómeno sóciocultural, tem vindo a registar múltiplos impactos. Aqui surgem múltiplas questões: 

 

– qual a relação entre a antropologia e o turismo?
– como e porquê ambas as áreas são investigadas e se cruzam?
– onde entra o turismo de natureza ou o ‘nature-based tourism’?
– etc.

Há contributos vantajosos da antropologia para o estudo do turismo.
1.a contribuição metodológica, a qual diferencia a antropologia de outras disciplinas, traduzindo-se no trabalho de campo e no método comparativo (Bruner 2005, Gmelch 2004, Hannerz 2003).
2.a contribuição teórico-conceptual (Burns 2004), a qual privilegia o relativismo cultural, enfatizando a abordagem holística e qualitativa do turismo, procurando dar conta dos significados que os actores sociais dão às suas actuações.
3.as múltiplas etnografias que têm ajudado para a compreensão deste fenómeno (Crick 1989, Bruner 2005).

A definição de turista proposta por Valene Smith focaliza-se na moderna actividade de lazer e a experiência de mudança. Para esta autora o turista “é uma pessoa temporariamente em situação de lazer, que voluntariamente visita um local diferente do da sua residência com o objectivo de experienciar a mudança” (Smith 1989). Assim sendo, as tipologias de turista existentes revelam desde finais dos anos 80 uma apetência para categorias como o ambiente, a natureza, o contacto com os anfitriões, com a aventura. Termos como ‘exploradores’, ‘elite’ ou ‘excêntricos’ (Smith 1989) começam a povoar as agendas e lentes antropológicas que se debruçam sobre este fenómeno/indústria/prática.

A partir da década de 90 entra em cena o conceito de sustentabilidade, percepcionado como uma alternativa ao turismo massificado.

…Continua….

OPEN DAY ISCSP-IEPG

Aos interessados na Pós-Graduação “Antropologia e Turismo da Natureza”, não deixem passar a oportunidade.

“OPEN DAY ISCSP-IEPG”
O Instituto de Estudos Pós-Graduados do ISCSP está aberto das 8h às 20h. Quem efectuar a candidatura a uma das Pós-Graduações ISCSP presencialmente fica isento do pagamento da respectiva taxa. A campanha aplica-se a todos os cursos de Pós-Graduação.

Acerca da Pós-Graduação que combina a Antropologia com o Turismo de Natureza, vejam aqui mais informações.

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Pós-Graduação: Antropologia e turismo de natureza

Estão abertas as inscrições para a 1ª edição Pós-Graduação: ‘Antropologia e Turismo de Natureza (2013-2014)’.

Tem por objectivos: Proporcionar formação avançada nas áreas da Antropologia do Turismo, do Turismo da natureza, e Conservação da natureza, aplicadas ao trabalho prático e à investigação. Pós-graduação intensiva e de intersecção entre duas áreas principais: Turismo e Natureza. Será providenciada formação teórica bem como componente prática e com interesse para as várias áreas disciplinares como o planeamento turístico, as diferentes tipologias existentes, o turismo da natureza, os parques e as reservas naturais e nacionais, a sensibilização ambiental e a formação pedagógica ambiental.

Destinatários: Todos os interessados em obter formação avançada na área do Turismo da natureza e da Gestão do Património Natural e da Natureza e suas aplicações: antropólogos, sociólogos, biólogos, profissionais do sector do turismo, e outros que queiram aprofundar/consolidar os seus conhecimentos e competências nestas áreas.

Mais informações disponíveis aqui.

Turismo nos espaços naturais

Hoje reflicto sobre o turismo nos espaços naturais e a sua relevância como produto estratégico.

O desenvolvimento do turismo em áreas adjacentes às áreas naturais protegidas assumem diferentes formas em várias partes do globo. Higham e Vistad (2011) mencionam que o desenvolvimento do turismo associado à protecção das áreas naturais é considerado uma forma de gerar receitas, de criação de emprego e, ainda, uma forma de promover oportunidades de desenvolvimento económico para comunidades periféricas.

Mas o que significa o turismo nos espaços naturais? Como se conceptualiza? Que importância assume dentro da Plano Estratégico Nacional para o Turismo? Quais os factores de competitividade? Existirão oportunidades de desenvolvimento e desafios?