Dois terrenos, duas fotos

Os meus terrenos sempre se situaram na mesma área geográfica (a ilha da Madeira) por várias razões. Uma delas prende-se com o fascínio em ‘exercer’ uma ‘Antropologia em casa’. Eu gosto de viajar em terrenos tão distantes e familiares em simultâneo.

Em ambos os terrenos e, no decurso do trabalho de campo, os registos visuais desempenharam um auxilio valioso no registo de momentos, espaços, culturas materiais, patrimónios, pessoas, etc. Perdi a conta às inúmeras fotografias tiradas quer entre 2004-2005 quer entre 2008-2010.

Foi-me solicitado no âmbito de uma Mostra Fotográfica a escolha de fotografias que de alguma forma fossem representativas dos meus terrenos. A escolha não foi fácil, pois de entre centenas há que fazer uma selecção criteriosa.
 Ficam aqui duas de cinco.

1) Há muitas histórias para contar sobre a mesma. Assim à primeira vista pode parecer algo desinteressante mas, e se eu vos disser que esta foto representa parte de uma longa narrativa associada à ‘Luta da Água’ que ocorreu na Madeira na década de 60. Que o canal mais largo pertence ao estado e que o canal mais pequeno foi construido por uma comissão de heréus (regantes) com o objectivo de transportar a sua água. Há tanto, tanto para contar…

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2) A foto que se segue pertence ao meu 2º terreno situado na mesma área geográfica. Se antes a memória da água foi rainha, se analisei conflitos e práticas diárias de uma comunidade de regantes, no segundo momento debruçar-me-ia sobre a patrimonialização das levadas. Sobre isto há muito para falar. A tese de Doutoramento é apenas mais um exemplo.
(sobre a Foto: Levada do Rei, Madeira Walking Festival, janeiro de 2010).

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Mostra fotográfica ‘Os Terrenos da Antropologia’ em exibição no ISCSP

Estará patente entre os dias 14 e 30 de Outubro uma Mostra fotográfica “Os Terrenos da Antropologia“, no hall de entrada do ISCSP. A entrada é livre. Esta mostra fotográfica é uma iniciativa conjunta do MOBcid e da Unidade de Coordenação de Antropologia do ISCSP.

“O trabalho de campo é habitualmente referido como a característica mais distintiva da disciplina antropológica. A sua realização implica, desde logo, a necessidade de construção do terreno, um processo complexo, cuja exigência vai muito para além da escolha de um local. É uma experiência intersubjetiva, que pressupõe o envolvimento do antropólogo com espaços, acontecimentos e pessoas.

A mostra fotográfica ‘Os Terrenos da Antropologia’ evoca precisamente essa trilogia e a sua relevância. Nela estão reunidas quarenta e nove fotografias, que reproduzem nove terrenos antropológicos, em contextos nacionais e internacionais, rurais e urbanos, com grupos e culturas muito diversas, evidenciando dessa forma, as amplas possibilidades da abordagem etnográfica”.

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Turismo nos espaços naturais

Hoje reflicto sobre o turismo nos espaços naturais e a sua relevância como produto estratégico.

O desenvolvimento do turismo em áreas adjacentes às áreas naturais protegidas assumem diferentes formas em várias partes do globo. Higham e Vistad (2011) mencionam que o desenvolvimento do turismo associado à protecção das áreas naturais é considerado uma forma de gerar receitas, de criação de emprego e, ainda, uma forma de promover oportunidades de desenvolvimento económico para comunidades periféricas.

Mas o que significa o turismo nos espaços naturais? Como se conceptualiza? Que importância assume dentro da Plano Estratégico Nacional para o Turismo? Quais os factores de competitividade? Existirão oportunidades de desenvolvimento e desafios?

Painel – Imaginários do Turismo: Comunicações aceites (V Congresso APA)

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Seguem-se as comunicações aceites para o painel 05: Imaginários do turismo, referentes ao V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, que se realizará entre 08 a 11 de setembro de 2013, na UTAD (Vila Real).

Coordenação:
Filipa Fernandes (ISCSP/UTL) e Carina Sousa Gomes (CES/FEUC)

Comunicações aceites para o painel:

1. “Pode Fazer O Que Quiser Dela, Exceto Matá-la”.
Autor: Wladimir Blos (Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC)

Imagens da prostituição no Brasil são exportadas pela mídia através da promoção turística, entre outros eventos. Atraem turistas que visam a satisfação sexual com brasileiros. A pesquisa trata das imagens que evidenciam corpos nus, disponíveis e exóticos.
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2. Enobrecimento Litorâneo: A construção do Azul-Mar da Orla de Atalaia
Autor: Simone Araujo (Universidade Federal de Sergipe)

Propõe-se pensar as ressonâncias práticas e simbólicas da intervenção urbana que resultou na configuração “Orla de Atalaia”, uma estratégia política para simular determinada estética das praias do nordeste brasileiro, não encontrada nas “escuras” águas da Praia de Atalaia.
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3. Espaços de fé: Santuários Católicos no estado do Rio Grande do Norte/Brasil no contexto do turismo religioso: O caso de Santa Cruz
Autor: Maria do Socorro Vale Bezerra de Góis Góis (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

O trabalho apresenta uma análise histórico, sociocultural das políticas públicas do turismo religioso do RN-Brasil. Discute ações do programa Regionalização do Turismo, a exemplo do PROTEDUTUR/NE relacionado às políticas eclesiais a partir da construção de novos Santuários Católicos no estado do RN.
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4. Imaginários turísticos no Estado Novo: construções de ferro e de paz a bem da Nação
Autor: Cândida Cadavez (Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril)

Esta apresentação pretende demonstrar como a artificialidade dos destinos turísticos, concebidos como loci míticos, adquire um cariz particularmente marcante em regimes políticos nacionalizantes, como o autodesignado Estado Novo português.
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5. O turismo como diferencial para o desenvolvimento da cidade: um estudo de caso sobre Florianópolis (SC, Brasil) durante a década de 1970.
Autor: Daniel Lunardelli (Autônomo)

A proposta é refletir sobre a cidade de Florianópolis travestida para sua venda dentro do mercado de cidades turísticas. Através da imprensa é possível analisar a construção das várias faces de Florianópolis, quem deve vir e o que deve aproveitar da cidade e os investimentos que devem ser feitos.
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6. Portmán, construcción y negociación de un destino turístico (sin turistas)
Autor: Raúl Travé Molero (Universitas Miguel Hernández de Elche)

Desde los años 60 Portmán se fue convirtiendo, para sus vecinos, en un destino turístico sin necesidad de recibir a ningún turista. En esta población podemos estudiar cómo se entretejen los discursos que construyen, no sin conflicto y negociación, el turismo como horizonte de desarrollo deseable.
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7. Rituales y otras escenificaciones: turismo étnico en la región de los altos de Chiapas, México (ES)
Autores: Eugenia Bayona Escat (Universidad de Valencia)
Miquel Àngel Ruiz Torres (University of Valencia)

La población indígena de Los Altos ha entrado en el juego de la escenificación turística y recrea el imaginario del ancestral y exótico mundo maya. Los indígenas escenifican una cultura adecuada para el consumo turístico, a la vez que toman nuevas posiciones sociales e identitarias en la región.
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8. Tourist Imaginaries of Antarctica
Autor: Dennis Zuev (CIES)

The paper deals with the topic of imaginaries of Antarctic tourists. What is behind the Antarctic tourism imaginary and imagination? What kind of myths and narratives enchant tourists? What do tourists actually see and consider Antarctic? What comprises their visual imaginary?
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9. Tróia, do lazer ao turismo: narrativas e memórias
Autor: Vanessa Amorim (ISCTE-IUL)

Tomando como estudo de caso a indústria turística em Tróia, pretendo analisar como a utilização do local para práticas recreativas foi sofrendo alterações devido à emergência da indústria turística no local e como a narrativa turística produziu uma contra narrativa que reprova o turismo.

Para mais informações consultem o site oficial aqui.

Colóquio «Políticas Públicas para o Património Imaterial na Europa do Sul: percursos, concretizações, perspetivas» (27 e 28 de Novembro de 2012)

Nos próximos dias 27 e 28 de novembro será realizado em Lisboa, o Colóquio Internacional Políticas Públicas para o Património Imaterial na Europa do Sul – percursos, concretizações, perspetivas. O Colóquio tem como objetivo refletir sobre os processos de desenho de políticas públicas e os principais programas e medidas de valorização do PCI desenvolvidos em Portugal, Espanha, França e Itália para fins da implementação da Convenção UNESCO 2003, com especial enfoque sobre a constituição de inventários como medidas fundamentais para a salvaguarda do PCI.

Confrontando as principais estratégias desenvolvidas em cada um dos países, assim como os percursos históricos de que resultaram essas mesmas estratégias, o Colóquio pretende refletir, por um lado, sobre os papéis aí reservados para as entidades governamentais (de âmbito nacional, regional e local), as entidades de carácter científico e cultural (museus, universidades, centros de pesquisa, associações) e os detentores do PCI (“comunidades, grupos, indivíduos”).

Por outro lado, tendo em conta o papel desempenhado pela Antropologia, não apenas no estudo dos factos de cultura desde recentemente objetificados como “PCI”, mas também no próprio processo de elaboração da Convenção da UNESCO, o Colóquio pretende refletir sobre o papel e o envolvimento da disciplina na definição e implementação daquelas políticas e estratégias, identificando as oportunidades, os resultados e, também, os problemas metodológicos, epistemológicos e/ou políticos que daí podem decorrer.

O Colóquio é realizado pela Direção-Geral do Património Cultural, no âmbito de candidatura aprovada pelo Programa IBERMUSEUS, em colaboração com o Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora, contando igualmente com o apoio do Institut Français du Portugal”.

 

Mais informações aqui.

O programa detalhado poderá ser consultado aqui.