Levadas da ilha da Madeira: valor patrimonial

 

O regresso aos meus terrenos na ilha da Madeira tem como propósito a participação num programa televisivo da RTP-Madeira subordinado ao tema: ‘As levadas da ilha da Madeira candidatas a Património Mundial da UNESCO’.

Desde 2004, ano em que encetei o trabalho de campo para o mestrado em Antropologia, que dei conta que este sistema tinha um grande valor patrimonial, na medida em que a Madeira não seria o que é hoje se não fossem as levadas. Estes canais construídos pela mão do homem fazem parte da nossa identidade, permitiram o desenvolvimento da ilha e, hoje, são motivo de viagem para milhares de pessoas.

O valor patrimonial a que me refiro está relacionado com o saber-fazer associado à sua construção (desde o século XV), manutenção e gestão. O sistema de irrigação não é exclusivo da região como em tempos escrevi, porém, a sua dimensão numa ilha tão pequena, o léxico especifico, e as tensões sociais associados à gestão, distribuição e uso da água no quotidiano, fazem-no merecer tamanha distinção. Defendo a sua candidatura à UNESCO mas nos moldes adequados, salvaguardando a sua sustentabilidade e os saberes-saber locais.

Uma candidatura deste género implica antes de mais a participação de múltiplos actores, já que este sistema regional de irrigação se reveste de especificidades muito próprias. Começando pelo conjunto de entidades com responsabilidades em termos de gestão do recurso, passando pelas comunidades locais, essa fonte de informação riquíssima em saberes-fazer, pelas universidades, a indústria turística, as autarquias, terminando pelos consumidores/turistas.

Não esqueçamos que este elemento patrimonial é usado simultaneamente pela população local nas suas práticas de regadio diárias, e pelos turistas na contemplação e fruição da paisagem. São, em simultâneo, recurso e produto.

Durante o trabalho de campo para o doutoramento, decidi analisar o recurso como produto turístico. Espantei-me uma vez mais por não ver este sistema de irrigação reconhecido nem a nível local/regional nem a nível nacional.

A candidatura  poderia  e, de acordo com os critérios de elegibilidade veiculados pela UNESCO, destacar a sua merecida importância. Os critérios culturais de selecção deixa antever uma possível classificação, já que o sistema insere-se, a meu ver, em vários critérios.

 

 

 

 

 

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