Antropologia, turismo de natureza e suas conexões – I

Por diversas vezes me questionaram sobre se haveria ligação entre a Antropologia e o turismo de Natureza. A resposta afirmativa quase sempre causou desconfiança, espanto, mas nalguns casos, registou-se uma certa curiosidade. De notar que essas desconfianças desde sempre pairaram sobre a antropologia do turismo,  exactamente pela diferença, pelo facto de o objecto não ser o mais usual.

Com o acentuado crescimento por esse mundo fora, não apenas em valores e percentagens, mas também em tipos e formas, este fenómeno sóciocultural, tem vindo a registar múltiplos impactos. Aqui surgem múltiplas questões: 

 

– qual a relação entre a antropologia e o turismo?
– como e porquê ambas as áreas são investigadas e se cruzam?
– onde entra o turismo de natureza ou o ‘nature-based tourism’?
– etc.

Há contributos vantajosos da antropologia para o estudo do turismo.
1.a contribuição metodológica, a qual diferencia a antropologia de outras disciplinas, traduzindo-se no trabalho de campo e no método comparativo (Bruner 2005, Gmelch 2004, Hannerz 2003).
2.a contribuição teórico-conceptual (Burns 2004), a qual privilegia o relativismo cultural, enfatizando a abordagem holística e qualitativa do turismo, procurando dar conta dos significados que os actores sociais dão às suas actuações.
3.as múltiplas etnografias que têm ajudado para a compreensão deste fenómeno (Crick 1989, Bruner 2005).

A definição de turista proposta por Valene Smith focaliza-se na moderna actividade de lazer e a experiência de mudança. Para esta autora o turista “é uma pessoa temporariamente em situação de lazer, que voluntariamente visita um local diferente do da sua residência com o objectivo de experienciar a mudança” (Smith 1989). Assim sendo, as tipologias de turista existentes revelam desde finais dos anos 80 uma apetência para categorias como o ambiente, a natureza, o contacto com os anfitriões, com a aventura. Termos como ‘exploradores’, ‘elite’ ou ‘excêntricos’ (Smith 1989) começam a povoar as agendas e lentes antropológicas que se debruçam sobre este fenómeno/indústria/prática.

A partir da década de 90 entra em cena o conceito de sustentabilidade, percepcionado como uma alternativa ao turismo massificado.

…Continua….

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